O Entusiasmo que move a obra

Um grande exemplo do titulo desse texto, é o filme Boyhood que assisti recentemente, do diretor Richard Linklater.

Devo admitir que apesar das peculiaridades norte-americanas, a trama contém traços muito reais sobre o que sentimos ou o que fazemos as pessoas sentirem. A relação dos filhos com os pais chega a ser exatamente a vida cotidiana que estamos acostumados, um pouco de pressão sobre o futuro, desde cedo que ingressando em uma instituição e começar a estudar o mundo e suas propriedades, não foge da familiaridade na qual estamos inseridos. Apesar de muitos lugares se distanciarem das preocupações de Boyhood, em uma diferença cultural por exemplo, muitas pessoas ainda vivem como o garoto Mason.

Acompanhando cada fase, de uma mesma pessoa e assistindo-a nos faz criar um vinculo emocional, uma sensibilidade maior com os personagens. E talvez por isso o fato da obra ter chamado tanta atenção, foi pela sua duração de filmagem, que se somam em 12 anos, onde acompanha o crescimento do jovem Mason, interpretado por Ellar Coltrane.

Após as filmagens foram revelados diversos empecilhos e alguns problemas que no fim acabaram sendo superados. O filme explora experiencias bem comuns, muitas vezes ligado a uma rotina ou aquela “linha de montagem” que as mães caem e  os filhos não percebem, isso pode ser observado no final do filme quando a mãe de Mason retrata todos os acontecimentos, bons e ruins que superaram e como ela se sente sozinha com os filhos indo embora, mas de forma natural, pois essa  “é a vida”.

Ok. Acredito que como todos os filmes, nesse também existe o lado mais “vazio”, como a comercialização de um drama “pequeno“. Mas nos esquecemos que o foco, é acompanhar a vida de um garoto de 12 anos até sua juventude e mesmo abordando um assunto simples, o filme foi excelente, tanto pela forma como o diretor decidiu compor a obra, como colocou cada peça… E acredito também que por todo o trabalho e dedicação, merece sem duvida o prestigio qual alcançou até agora.

 

 

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O homem e a estrada

E la ia o homem, xucro, vazio e sertanejo. Acostumado a pisar no chão, tanto em dias com terra fofa onde a lama cobria a sola do pé, como em dias quentes e secos, em que pedras riscavam seu calcanhar formando linhas rubras.Cresceu com medo do mundo, mas logo de cara pra vida. Enfrentar tudo no começo. Perdeu o pai, que talvez se tivesse vivido mais, ensinaria ao filho um pouco sobre a felicidade. Mas isso, não aconteceu.(……) Ele não era nada nem ninguém, talvez nem fizesse ideia do que era ser. Era um qualquer, infeliz, miserável que brotou aqui. Havia uma mãe, uma mãe desatenciosa de papel irrelevante. Ela apenas mostrava o que era dor.O que ele fazia? Ele só estava aqui.Olhos castanhos, mas olhos tão tristes que pareciam cinza. Assim como a aura, que parecia não estar ali. Na cabeça não pensava, o estomago já não sentia e o coração nunca acelerou. A vida parecia uma eterna noite mal dormida, com sono sem sonho algum.O que havia nos cantos? Pra ele nada, pois não olhava. O que havia no céu? Nada, pois nunca levantou a cabeça. O que havia de fazer aqui então? Nada. Pois não sentia, até que depois de episódios sem importância pro mundo, ele morreu.Era obvio que ia ser assim, do nada, um ninguém, nulo na felicidade desapareceria.

Mas…

Foi quando tudo mudou. Percebi que não podia, ninguém jamais vivia sem um minimo de alegria. Ideais mortos junto aquilo tudo, pois nunca, alguém pôde ficar assim, levando a vida árida e sem paixão. Isso foi apenas, inverossímil. Agora sim, o que faz sentido? O canto dos pássaros é algo? A luz do sol? A cor das flores?

 

Agora, nada mais, faz sentido.

 

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Alucinação à beira-mar

Um medo de morrer meus pés esfriava.
Noite alta. Ante o telúrico recorte,
Na diuturna discórdia, a equórea coorte
Atordoadoramente ribombava!

Eu, ególatra céptico, cismava
Em meu destino!… O vento estava forte
E aquela matemática da Morte
Com os seus números negros me assombrava!

Mas a alga usufructuária dos oceanos
E os malacopterígios subraquianos
Que um castigo de espécie emudeceu,

No eterno horror das convulsões marítimas
Pareciam também corpos de vítimas
Condenadas à Morte, assim como eu!

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Trechos soltos : “O nascimento da tragédia no espirito da música”

Aniquilados foram todos aquelas ilusões, que antes eram tratadas como se fossem realidade.Surge a partir disso, um sentimento melancólico, um eco a procura de si mesmo. Nasceu o brilho nos olhos de Ella Fitzgerald, Nina Simone… Ray Charles. Logo após Vivald sentir ou antes também.

Observamos tudo aquilo se quebrar, fomos tocados por esse espirito musical que nasceu da tragédia, da perda ou apenas da percepção da melancolia existencial.

“Somente como um fenômeno estético a existência e o mundo aparecem como legitimados : sentido este em que precisamente o mito trágico tem de convencer-nos de que mesmo o feio e o desarmonioso são um jogo artístico que a vontade, na eterna plenitude de seu prazer joga consigo mesma. (…) O prazer que o mito trágico engendra tem a mesma prática que a alegre sensação da dissonância na música.”

 

É colocado também que o prazer primordial é constituído por este destruir do mundo individual, construir e aniquilar, onde surge uma sádica posição pela melancolia provocada pelo sentimento nostálgico. Com o exemplo das crianças e os montinhos de pedra.

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