Sem titulo, sem

Equivoco pensar que minha vida estava rumo a felicidade.

De repente, tudo ficou pior, foi só piscar os olhos e as coisas todas que existem no mundo começaram a ficar feias. As que já não possuíam beleza ficaram pior.

Mãe, também não sei de onde vem tanta infelicidade,tanta frustração,tanta raiva,ódio, desprezo.

Sou  triste, extremamente triste sem saber o por quê.

Olho sim para as coisas pequenas, mas são pequenas demais, não me despertam nada.As coisas grandes quando aparecem sinto mais medo de me aproximar que qualquer outro sentimento.

Todo ser humano é só um ser humano, as vezes qualifiquei muito alem do que era certo, ou merecido.

Sou triste, angustiada, amarga e isso muito provavelmente vem da preguiça de fazer as coisas, da falta de capacidade, dos pensamentos derrotistas, da vergonha do passado e do fato de eu não ser eu.

Fui embora a tanto tempo que nem lembro mais de mim.

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O Entusiasmo que move a obra

Um grande exemplo do titulo desse texto, é o filme Boyhood que assisti recentemente, do diretor Richard Linklater.

Devo admitir que apesar das peculiaridades norte-americanas, a trama contém traços muito reais sobre o que sentimos ou o que fazemos as pessoas sentirem. A relação dos filhos com os pais chega a ser exatamente a vida cotidiana que estamos acostumados, um pouco de pressão sobre o futuro, desde cedo que ingressando em uma instituição e começar a estudar o mundo e suas propriedades, não foge da familiaridade na qual estamos inseridos. Apesar de muitos lugares se distanciarem das preocupações de Boyhood, em uma diferença cultural por exemplo, muitas pessoas ainda vivem como o garoto Mason.

Acompanhando cada fase, de uma mesma pessoa e assistindo-a nos faz criar um vinculo emocional, uma sensibilidade maior com os personagens. E talvez por isso o fato da obra ter chamado tanta atenção, foi pela sua duração de filmagem, que se somam em 12 anos, onde acompanha o crescimento do jovem Mason, interpretado por Ellar Coltrane.

Após as filmagens foram revelados diversos empecilhos e alguns problemas que no fim acabaram sendo superados. O filme explora experiencias bem comuns, muitas vezes ligado a uma rotina ou aquela “linha de montagem” que as mães caem e  os filhos não percebem, isso pode ser observado no final do filme quando a mãe de Mason retrata todos os acontecimentos, bons e ruins que superaram e como ela se sente sozinha com os filhos indo embora, mas de forma natural, pois essa  “é a vida”.

Ok. Acredito que como todos os filmes, nesse também existe o lado mais “vazio”, como a comercialização de um drama “pequeno“. Mas nos esquecemos que o foco, é acompanhar a vida de um garoto de 12 anos até sua juventude e mesmo abordando um assunto simples, o filme foi excelente, tanto pela forma como o diretor decidiu compor a obra, como colocou cada peça… E acredito também que por todo o trabalho e dedicação, merece sem duvida o prestigio qual alcançou até agora.

 

 

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O homem e a estrada

E la ia o homem, xucro, vazio e sertanejo. Acostumado a pisar no chão, tanto em dias com terra fofa onde a lama cobria a sola do pé, como em dias quentes e secos, em que pedras riscavam seu calcanhar formando linhas rubras.Cresceu com medo do mundo, mas logo de cara pra vida. Enfrentar tudo no começo. Perdeu o pai, que talvez se tivesse vivido mais, ensinaria ao filho um pouco sobre a felicidade. Mas isso, não aconteceu.(……) Ele não era nada nem ninguém, talvez nem fizesse ideia do que era ser. Era um qualquer, infeliz, miserável que brotou aqui. Havia uma mãe, uma mãe desatenciosa de papel irrelevante. Ela apenas mostrava o que era dor.O que ele fazia? Ele só estava aqui.Olhos castanhos, mas olhos tão tristes que pareciam cinza. Assim como a aura, que parecia não estar ali. Na cabeça não pensava, o estomago já não sentia e o coração nunca acelerou. A vida parecia uma eterna noite mal dormida, com sono sem sonho algum.O que havia nos cantos? Pra ele nada, pois não olhava. O que havia no céu? Nada, pois nunca levantou a cabeça. O que havia de fazer aqui então? Nada. Pois não sentia, até que depois de episódios sem importância pro mundo, ele morreu.Era obvio que ia ser assim, do nada, um ninguém, nulo na felicidade desapareceria.

Mas…

Foi quando tudo mudou. Percebi que não podia, ninguém jamais vivia sem um minimo de alegria. Ideais mortos junto aquilo tudo, pois nunca, alguém pôde ficar assim, levando a vida árida e sem paixão. Isso foi apenas, inverossímil. Agora sim, o que faz sentido? O canto dos pássaros é algo? A luz do sol? A cor das flores?

 

Agora, nada mais, faz sentido.

 

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Menções duvidosas

Esse ano confesso, poucas vezes parei para ler o jornal. Antes sentia um certo prazer, hoje não há vontade. Ler o jornal, ou assisti-lo tornou-se algo insipido. Mas é temporário, dizem que quando o caos atinge seu mais alto grau, a ordem começa a renascer.

Ruim é não conseguir imaginar o que é ordem. Oque é ordem? Imploro para que a sorte caia para nós e a utopia pare de ser usada a todo momento, gerando limitações ideológicas. Tudo na prática é diferente, sim? Não. É possível colocar bonito no papel e ao mesmo tempo fazer bonito!

Colocar mentiras no papel, não vai melhorar a situação pois sabemos que na pratica a verdade é feia. Mas o bonito e o feio, são paradoxalmente relativos. A minha visão do que é bonito, talvez não seja a mesma de chatô ou sei la… Paulo Coelho por exemplo. O que quero dizer é, essa situação chata e desmotivadora da crença no ser humano, ou na melhora espiritual do ser deve começar a mudar, e rápido.

Nada é demais até que direitos sejam restabelecidos. Dignas,prodigiosas atitudes precisavam tomar o lugar do egoismo e da ganancia. Precisamos crescer, parar de mentir ou aceitar mentiras assim. Precisamos tocar, tocar no coração das pessoas, não é assim?

Apenas que;

“ Por mais que longe pareça,
ides na minha lembrança,
ides na minha cabeça,
valeis a minha Esperança.”

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Um sorriso meio torto, umas coisas que a gente não entende.

Perdoem a vulnerabilidade, mas precisava de um texto em primeira pessoa.

As vezes quando somos delicados com espinhos, acabamos pensando que eles podem um dia mudar, tornando-se iguais ao que estamos sendo. Eles não vão mudar, mas só por isso deveríamos repensar sobre como fomos com eles e constatar a partir disso que ser delicado, é errado? Eu não sei, não conheço nem o certo ou errado.Mas, dor ninguém quer receber, e todos os dias, essas emoções nos transformam. Com tanta tecnologia dissipada pelo mundo será que ficamos mais sensíveis? Afinal, temos um contato maior com a arte, ou seja, um requinte maior no tato com a vida.

A eloquência assume formas engraçadas, ultimamente, gostaria muito que mais pessoas enxergassem o que eu enxergo. Ou não, a recriminação de qualquer ideia gera impetuosamente um exílio. Um exílio doloroso e confuso. No geral, nossos temores são confusos, assim como nossas vontades.O que eu não desejo é essa vontade fenecida, esse amor apático, esses rumores absurdos por aí. Quem levantar a mão primeiro ganha, a competitividade é grande mas no fundo eu sei que ninguém quer vencer, o medo de perder é enorme.Não sei o resto, por fora aliás eu vejo gente diferente o tempo todo. Acho que um tornado cubista passou aqui e nos embaralhou.

Um dia se alguém quiser me revisar, não espero nada de plastico. Eu quero o inquebrável, eu quero verdade.

Algo grande, de alguma coisa pequena. Desprender-me para:

Apagar-me
diluir-me
desmanchar-me
até que depois
de mim
de nós
de tudo
não reste mais
que o charme.

Expandir-me para outros cantos.

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Alucinação à beira-mar

Um medo de morrer meus pés esfriava.
Noite alta. Ante o telúrico recorte,
Na diuturna discórdia, a equórea coorte
Atordoadoramente ribombava!

Eu, ególatra céptico, cismava
Em meu destino!… O vento estava forte
E aquela matemática da Morte
Com os seus números negros me assombrava!

Mas a alga usufructuária dos oceanos
E os malacopterígios subraquianos
Que um castigo de espécie emudeceu,

No eterno horror das convulsões marítimas
Pareciam também corpos de vítimas
Condenadas à Morte, assim como eu!

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